Edite de Jesus

Especialista em psicopedagogia clínica e institucional e neurociência.

Email: editejesus@yahoo.com.br 

OBEDIÊNCIA GERA GRAÇA

 

O contexto atual é um convite a muitas reflexões e, portanto, uma oportunidade de aprender. A minha paixão nata pela vida humana, especialmente, no que se refere à realidade e um aprender contínuo, é um chamado a pensar a partir da perspectiva das aprendizagens possíveis em um momento de desolação como o que ora atravessamos, pelas ameaças do COVID 19. 

Percebo que para além do aprender, nos é dada a possibilidade de reaprender. Ocorre que na maioria das vezes uma catástrofe é decorrente de um ato humano, de uma escolha. Seja ela isolada, individual, ou coletiva. Há ainda as que ocorrem em decorrência da escolha de um só, mas que inevitavelmente atinge a outros. É assim quando, por exemplo, um só homem não cuida da natureza, e como consequência uma região inteira fica comprometida, alagada, queimada, dentre outras possibilidades. Em uma perspectiva cristã, entendemos que foi assim desde o principio.

A Bíblia nos relata no livro de Gêneses que os precursores da humanidade “nossos primeiros pais” viviam em uma perfeita harmonia com os demais seres, e esses lhes eram submissos. Não conheciam a dor, o sofrimento nem a morte. Todavia, após desobedecerem ao Criador (Deus), passaram a experimentar as consequências dos seus atos. O que não equivale a um castigo divino, mas um desdobramento de uma atitude, de uma escolha. E toda humanidade passa a sujeitar-se a realidade posta a partir de então.     

O contraponto a essa realidade do homem “decaído” pela desobediência, é então o homem obediente. E para anular toda a condenação precisava uma obediência perfeita e, portanto, ela é ensinada a partir de Jesus o Filho obediente ao Pai. Essa obediência é visivelmente retratada pela vida de Jesus, mas intensificada quando Ele conclui seu plano de amor, pela obediência. Amar até a cruz. Estamos vivenciando um tempo por um lado sombrio, mas ao mesmo tempo fecundo, em que somos convidados a olhar para os passos de Jesus, o seu exemplo, considerando desde o que Ele anunciava, o estilo de vida, e onde chegou com o seu amor. Tudo se traduz em obediência ao Pai. E Ele possibilitou ao homem ora “condenado”, a viver uma realidade muito dura e ainda a condenação eterna, a partir da desobediência, a possibilidade da redenção eterna pela obediência.      

Todavia, a sua história, o seu exemplo, tornou-se um tanto esquecido. E assim, vejo na circunstância atual um jeito meio forçado, de como criancinhas aprender ou reaprender o principio e o sentido da obediência. E se no principio a desobediência gerou a possibilidade da morte, agora de outro modo, somos convidados a obedecer para viver. Se no passado a desobediência de um só, comprometeu toda humanidade, mais uma vez essa verdade nos é posta. Se você desobedece, você compromete não somente a si mesmo, mas de algum modo todos os homens. Independente se você exerce ou não alguma forma de espiritualidade, se você acredita ou não, somos uma humanidade interira imersa em um mesmo caos. E nos é oferecido nesse momento de pandemia, regras relativamente simples.

Se obedecermos podemos contribuir para a manutenção da vida pessoal e da vida do outro. Se um só homem desobedece poderá experimentar consequências de modo direto ou indireto, individual ou coletivo. Jesus ao obedecer mergulha todo homem na possibilidade da graça, religa o que a desobediência havia rompido. Então fica para nós, mas uma grande lição. Aprendamos a obedecer, pois a obediência gera graça.

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