Edite de Jesus

Especialista em psicopedagogia clínica e institucional e neurociência.

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LAVAR AS MÃOS

O lavar as mãos é um gesto simples corriqueiro, mas também pode ser cheio de significados.  Penso que boa parte das pessoas, nunca mais, a partir dessa pandemia lavará as mãos do mesmo modo.  Mesmo sendo essa ação quase automatizada no dia a dia. No contexto de pandemia, foi atribuído a esse mesmo gesto, técnicas, já praticadas, ou não que lhe imprime uma importância peculiar.             

                                                                                                                     

Podemos recordar ao longo do tempo, que  o lavar as mãos tem também outros significantes. Para os fariseus era um modo de purificar-se. Portanto como rito era necessário lavar as mãos e os jarros. Jesus ao se colocar no meio deles, amplia esse entendimento e os leva a compreender que é necessário purificar não somente as mãos, mas também o interior. Pois o que torna o homem impuro é o que sai do coração, o que lhe é interno e não a exterioridade.  Em outro momento, como um divisor de águas,  o gesto de lavar as mãos tem outro significado muito impactante.           

                                              

De acordo com os relatos Bíblicos, onde é narrada  a história  da condenação de Jesus,  Pôncio Pilatos, que governava a província romana,  teve em suas mãos a prerrogativa de autorizar ou não a crucificação de Jesus. Hoje sabemos que tudo só ocorreu daquele modo porque  foi permitido por Deus, mas naquele momento, coube a Pilatos escolher o modo como tudo ocorreria.  É claro que, conforme as escrituras, o próprio Jesus declarou: “Nenhum poder teria sobre mim se não lhe fosse dado do alto”. Mas naquele instante o ato humano de lavar as mãos, indica mais que um gesto de eximir-se de culpa, uma vez que havia recebido advertência de sua esposa acerca da pessoa de Jesus, e quem Ele era. Foi também um posicionamento em favor de uma estrutura política ao qual ele se curvava.         

                                                                      

Esse “lavar as mãos” foi de certo modo um indicativo de covardia, da necessidade de não contrariar àqueles que já haviam arquitetado a morte de Jesus. A realidade perante aos nossos olhos, hoje, é de muitas pessoas  condenadas ao sofrimento e morte.     

                                                                                  

 É profundamente lamentável, ver que ainda não aprendemos muita coisa, ou quase nada. E nos encontramos mais uma vez polarizados. De um lado o farisaísmo de lavar as mãos apenas exteriormente sem, contudo,  voltar olhar para dentro de si e purificar as intenções, o coração, exercer o amor, o perdão e misericórdia. Por outro lado vemos a ganância, a sede de poder, a autossuficiência imperar e novamente o gesto de “lavar as mãos” que poderá ter como consequência a condenação.  A condenação e morte  de muita gente inocente. Pessoas que buscam cumprir com retidão o que lhes é solicitado e necessário.                            

                                                                                             

E nesse período tão significativo de deserto, contemplação, percebemos a renovação do calvário de Jesus, que compadece dos seus filhos que poderão experimentar as consequências desse “lavar as mãos”. Mas sabemos que ao final o Cristo sempre vence. Vence diante de Pilatos, diante da multidão que grita “crucifica-o”, diante do Barrabás (covid19), que nessa história toda é o único que merece ser condenado.

                                                          

Estamos diante da Palavra  (história) que se renova e somos convidados a pousar os nossos olhos e a nossa esperança em Jesus que é o único que verdadeiramente tem a solução. Que  após o terceiro dia, faz brilhar para nós a sua luz.  Ele é  o único capaz de vencer a morte. E com certeza um novo dia há de surgir! Temos um Deus que cuida de nós. É Nele e não em homens que colocamos a nossa confiança.

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