Edite de Jesus

Especialista em psicopedagogia clínica e institucional e neurociência.

Email: editejesus@yahoo.com.br 

O ANTÍDOTO PARA DOR II

 

Há 06 anos o Brasil entrou em choque com uma notícia estarrecedora envolvendo crianças em uma escola no Rio de Janeiro, que ficou intitulado como o “massacre em Realengo”. É bem provável que já adormecera em nossa memória a tragédia, porém, para as vítimas, famílias das vítimas e pessoas que possuem uma relação mais estreita com o fato, ainda é provável ecoar por vezes pensamentos dos momentos de terror.                                                          

 

Na ocasião em que, obviamente, a comoção tomou proporção nacional e internacional  vários debates se levantaram acerca de segurança, de justiça, bem como as perguntas mais inquietantes: houve falhas? onde falhamos enquanto humanos?                                                                                                            

Após a explosão de sentimentos, ainda com coração condoído pelas vitimas do fatídico dia 06 de outubro de 2017, onde vidas na maioria apenas em seu  inicio foram abruptamente interrompidas, os pensamentos começam a se organizar. Mas esse processamento não é fácil.  Se esse momento é doloroso para todos, imagino que para alguns é especialmente mais inquietante. Quantas pessoas rememoraram seus sofrimentos e mais que todos nós se conectaram à dor da população de Janauba. Os gritos de dor se silenciaram para população geral, mas com certeza ainda é latente para os envolvidos, não somente a dor física, mas a dor na alma.

 

Passado o espanto vem a certeza mais cruel, a verdade mais dura. Desenvolver a resiliência nessas horas não é tarefa simples, só a esperança nos permite construir a ponte entre a realidade atual e um possível futuro menos doloroso. Os questionamentos ainda subsistem e devem permanecer, é preciso falar sobre saúde mental, segurança, acolhimento é o ser humano e o que é ser de fato humano. Mas em busca de explicações lógicas não foi possível encontrar um antídoto diferente de outrora, a única coisa que pode sarar a dor é o amor. O amor emanado no coração da professora que sacrificou sua vida em função de outros, o amor emanado no coração dos voluntários, das equipes de atendimento que foram à exaustão mas não desistiram da luta, o amor despertado no coração daqueles que sensibilizaram nas campanhas de materiais, equipamentos, alimentos, nas campanhas de oração e principalmente no acolhimento.

 

De uma maneira paradoxa e complexa o episódio despertou revolta, ódio e amor nos corações. E um amor que não podemos deixar de mencionar e é necessário existir é o amor de compaixão aos familiares do autor da tragédia, visto que a dor é dupla, ainda que não seja possível compreender o sujeito, e o ato seja aos nossos olhos, imperdoável, a dor é inerente à lógica. E muitas vezes vêm acompanhada de culpa compartilhada. Enfim até mesmo o que escapa a nossa limitada compreensão humana deve ser mergulhada no amor.

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