Edite de Jesus

Especialista em psicopedagogia clínica e institucional e neurociência.

Email: editejesus@yahoo.com.br 

MENINOS ANCIÃOS

 

Sabe aquela pergunta: quem veio primeiro o ovo ou a galinha? Embora alguns se arrisquem opinar que existem evidências científicas, outros por puro “achismo” acreditam ter a resposta, sabe-se que ninguém a responde com certeza. Há ainda quem   pensa não existir resposta. Hoje estou com questionamentos semelhantes e também me arrisco pensar e até dizer que há bases científicas para algumas comparações, porém consinto a possibilidade de falhar.  

                                                                                            

Pois bem, nas observações cotidianas é perceptível que entre os chamados  “meninos problemas” nas escolas, aqueles  com uma lista de comportamentos e atitudes a serem investigadas por multiprofissionais, e os “não tão meninos do congresso”, há muita semelhança. E antes que alguém se antecipe e se ofenda, de maneira relativamente justa, e entre na defesa dos “meninos problema” das escolas, pela audácia da comparação, explico que a mesma se dá em apenas alguns aspectos bem peculiares.

                                                                                                                                            

Cada vez mais as crianças apresentam comportamentos que os adultos chamam de atípicos, ou seja, não se enquadram no chamado comum, regular, nos moldes que se espera, especialmente no ambiente educacional. Embora seja difícil um parâmetro para o que poderíamos chamar de típico, é inegável que somos sujeitos que vivem em sociedade e para tanto, existem regras com objetivos claros, para que seja organizada. 

        

É óbvio que essa organização é proposta, ou imposta por alguém, um grupo, ou pelas circunstâncias, com múltiplos interesses. Como não haveria consenso e nem caberia nesse espaço discussões acerca desse tema, voltemos à história “dos meninos”.     

 

É inegável que existe uma tentativa em rotular os sujeitos que no contexto educacional formal demonstra algum comportamento diferente, o que de certo modo, é bastante compreensível, visto que, as instituições em todo tempo, conhecidas como: liceus, ateneus, academia, colégio, instituto, educandários, centro de ensino, escolas... têm como propósito ensinar, treinar, formar e para tanto, existem normas. Assim, quem não se enquadra nas mesmas, torna-se um caso a ser investigado. O contexto atual desafia para uma visão mais ampla. A filosofia em torno dos objetivos da escola mudou para uma proposta que privilegie o desenvolvimento dos sujeitos para uma sociedade plural. Mas até mesmo a sociedade plural precisa de regras. Um exemplo claro é que  para transitarmos de modo seguro, precisamos seguir normas, obedecer a uma série de placas, indicações e se as desobedecemos as consequências podem ser fatais. O fato é que em meio a multiplicidade de informações e discussões de quais regras se escolhe para seguir, muita gente anda perdida: nas famílias, instituições de ensino, sociedade em geral e parece não saber muito bem o que fazer e para onde ir. Excetuando condições patológicas, existe uma gama de comportamentos relacionados ao processo de formação do sujeito que podem ser evitados ou melhor redirecionados. Não raro temos nos espaços educacionais crianças que não conhecem regras, limites, tornando confuso para o educador distinguir, por exemplo, uma desobediência, birra, atitudes egocêntricas que extrapolam o trivial de um possível transtorno. Nesse ponto que percebo uma semelhança entre as inconsequências infantis, juvenis e a dos governantes. Essa semelhança é preocupante, sobre vários aspectos.                                      

 

Como aprendemos por imitação, tudo leva a crer que os mais jovens espelham-se nos mais velhos. Do mesmo modo imagina-se, considerando a teoria da criação, que possivelmente a galinha veio antes do ovo. Mas há controvérsias. Assim, não se sabe se os “meninos jovens” copiam os “meninos anciãos” ou se os meninos, hoje anciãos, nunca cresceram e estão presos a seus excessos ou falta. Outra coisa difícil de distinguir é se a violação consciente das regras, a falta de limites, o egocentrismo dos “meninos anciãos”  da política é de origem  patológica, falha na “educação” ou influencia do ambiente. Mas fato é que muita gente sofre o resultado dos seus atos conscientes e  inconsequentes, como de um adolescente, obviamente sem habilitação que pega o carro do pai, vai dar uma volta faz um churrasco com os amigos, se embriaga e ao voltar para casa provoca vários acidentes e mortes até bater o próprio carro, e mesmo preso às ferragens e a única coisa que pensa é sair dali ir para casa, e exigir que o pai resolva a situação.

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