Edite de Jesus

Especialista em psicopedagogia clínica e institucional e neurociência.

Email: editejesus@yahoo.com.br 

DEBAIXO DA FIGUEIRA

 

Existe um episódio na Bíblia em que Filipe um dos seguidores de Jesus, encontra um amigo chamado Natanael e tenta falar sobre Jesus para ele. Inicialmente ao saber a origem de Jesus Natanael fica desconfiado e pergunta: por acaso pode vir coisa boa de Nazaré? Ao perceber que ele se aproxima Jesus o saúda e diz: “eis um israelita no qual não há falsidade”. Natanael reage admirado e quer saber de onde Jesus o conhece, ao passo que Jesus lhe afirma: antes que Felipe o encontrasse eu te vi debaixo da figueira. Natanael ainda mais surpreso reconhece Jesus como filho de Deus e rei de Israel.            

 

O texto narrado na bíblia, não revela o que Natanel fazia debaixo da figueira, mas por sua reação podemos inferir que ninguém poderia saber o que se passou debaixo da figueira a não ser por um poder sobrenatural. Isso significa que Natanel se viu diante de alguém que conhecia sua intimidade.            

 

A reação de Natanael demonstra que naturalmente nos curvamos reconhecendo a importância de quem conhece nossa intimidade. No caso ilustrado, a intimidade foi revelada por um poder extraordinário, mas existem diversas maneiras de se conhecer o intimo de alguém. A reação, porém, é naturalmente a quebra de resistências frente a quem sabe mais sobre nós.                  

 

Atualmente vivemos um paradoxo onde as pessoas evitam olhar para si e preferem olhar o íntimo do outro, fato que se prova com o sucesso dos realitys shows e outros programas afins, onde a intimidade das pessoas são escancaradas. Por um lado há um movimento de ver o outro e assim, não olhar para si, por outro as mesmas pessoas que se escondem de si, lançam de maneira consciente ou não a intimidade para que o outro veja. Assim ocorre nas redes sociais, onde o cotidiano se mistura ao íntimo e as pessoas desnudam desde as ações mais corriqueiras até a alma. E qual o problema disso?

                                                                                                                                 

Um fato importantíssimo, que não podemos esquecer é que ao sermos vistos “debaixo da nossa figueira”, certamente conferiremos ao outro poder sobre a nossa vida. Não obstante, não serão mestres, com poderes extraordinários, mas pessoas comuns, muitas vezes sem boas intenções e que a partir de então, passarão a ditar os caminhos a seguir. Seja de maneira aberta ou velada. Embora alguns absurdos não serem passíveis de  explicação, acredito que pode ser, por essa lógica que ganham forças grupos fechados virtuais ou não, comandados por mentes fechadas com potencial destrutivo, tanto  para outro, como si mesmo.

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