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Em carta destinada aos fiéis de Corinto, São Paulo indica o caminho mais excelente de todos. E acima de todos os dons enaltece o ato da caridade que é entendida na linguagem bíblica por amor. Ele nos ensina que mesmo que tenhamos o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e toda ciência; mesmo que tenhamos uma fé capaz de transportar montanhas se não tivermos o amor nada somos.
           
O escritor Camões em um dos seus mais belos poemas retrata o amor de modo singular. "O amor é fogo que arde sem se ver é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente".
           

O caminho do amor
Seja de modo mais espiritualizado ou não, todas as gerações procuram de algum modo explicar ou entender o amor. Cada um ao seu modo procura enaltece-lo sem, contudo, descrevê-lo de modo satisfatório, pois, o amor não se prende a nenhum conceito.  
           
O amor é instigante, justamente, por esse caráter de "mistério". Mas, mesmo em meio a todas as incertezas do amor podemos e devemos sempre refletir sobre ele.
           
Independente do modo como concebemos o amor, certo é que existem posturas que a ele não se ajustam e não convergem. A única relação existente entre o amor e ódio, por exemplo, é de oposição. Se caminharem em um mesmo plano, estão de forma paralela, de modo que em nenhum instante um entrelace favorável seria possível.
           
Você pode se perguntar então: De onde vêm às contradições, as frustrações, que terminam em ódio nos relacionamentos que se acreditava surgir do amor?
           
Todo relacionamento humano é permeado de conflitos. E quanto mais íntimos nos tornamos maior probabilidade temos de magoar e sermos magoados.
           
Não existem receitas para lidar com frustrações, porém o mínimo de lucidez se espera de quem se arrisca na aventura de descobrir o outro e deixar ser descoberto. Essa lucidez vem da compreensão que precisamos ter de que se o amor, como diz São Paulo, é o maior dos dons, é também, o mais perfeito. E perfeição exige renuncias lutas. Na mesma carta aos fieis de Corinto São Paulo ainda completa que o amor é paciente, tudo crê, suporta e espera.  
           
Se os poetas cantam o amor como algo contraditório, essas contradições podem ser uma oportunidade a mais de se provar o amor por meio da fé, paciência e esperança.
           
Eu fico pensando, nas inúmeras caricaturas de amor que ganham repercussão na mídia. Seja na ficção ou nas páginas policiais, e entendo que nenhum relacionamento pautado no ciúme doentio, nas disputas, possessões, traições violência e morte, podem ser chamados de amor. 
           
Não pretendo com essas reflexões, ser taxativa em relação a nenhum tipo de sentimento, ou julgar a subjetividade das pessoas. Sei que todos nós enquanto humanos somos tendenciosos a certos comportamentos e propensos a cultivar com mais freqüência emoções negativas. Mas acredito que o que precisa ser pensado é a maneira como estamos trabalhando as nossas emoções no dia a dia. E até que ponto eu tenho permitido que elas dominem a minha vida.
           
E acima de tudo proponho uma análise bem simples. Se, sei que determinada emoção me fará explodir, porque não cuidar dela antes que exploda? Se um conjunto de sentimentos negativo me faz ver de modo distorcido o amor, para que alimenta-los em minha mente e meu coração?
           
Da maneira como compreendo o amor, entendo que ele nos aproxima da vida e não da morte. Por isso a quem pensa em cultivar o amor, é recomendável que afaste dos relacionamentos, em quaisquer das instâncias, os traços de morte. E que a vida seja celebrada por meio do amor.

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